sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

FALTA DE CONHEICMENTO É A PRINCIPAL FONTE DE PREJUÍZO ESPIRITUAL


Desde o ano de 2008 tenho guardado em meus arquivos o texto abaixo, que trata do tema APOLOGÉTICA, assunto de grande importância à vida dos cristãos. O autor, pastor César Moisés de Carvalho, cita que o texto é uma pequena amostra de um livro que estaria sendo escrito juntamente com o pastor Geremias do Couto. O assunto é abordado de forma ampla e abrangente, sendo, que após boa explanação o autor arremata:

“Assim, a recomendação prática é, inicialmente, aplicar-se a três coisas: (1) conhecer as Escrituras intimamente; (2) estudar a cultura diligentemente; e, (3) analisar os fatos, eventos e assuntos teologicamente. Essas são práticas elementares para que possamos ter uma visão correta da conjuntura histórica, em que estamos inseridos e possamos manter a ortodoxia e integridade bíblica. Sem esses requisitos básicos, acabaremos permitindo que a igreja que está sob a nossa responsabilidade seja incauta, ingênua e levada “em roda por todo vento de doutrina”. E isso é descumprir e pisar o propósito pelo qual o Senhor Jesus instituiu o ministério (Ef 4.11-16).”

Assim como ocorreu na época do Antigo Testamento, a Igreja dos dias atuais também tem na falta de conhecimento sua principal fonte de prejuízo espiritual. Isto é, a rejeição ao conhecimento, evidenciada pelas salas vazias da EBD – Escola Bíblica Dominical e pelo esvaziamento nos cultos de ensino, resulta numa igreja incauta e ingênua, conforme observado pelo pastor César Moisés.


Boa leitura

Edson Leite

Observação:
Falando de imprudência e ingenuidade, em detrimento do bem estar espiritual, por parte daqueles que integram e constituem as igrejas, sugiro a leitura do excelente artigo escrito pelo pastor Carlos Roberto, e postado eu seu site
(Point Rhema) em 21/01/2011, sob o título HOMEM DE DEUS, NÃO BRINQUE COM DEUS.

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A RELEVÂNCIA DA APOLOGÉTICA NO SÉCULO XXI


Saber defender a fé na pós-modernidade é uma questão de sobrevivência e comunicação

A elitização do conhecimento sempre foi uma das armas da opressão, do totalitarismo e da ditadura. Este expediente é o mesmo para todas as formas de dominações, sejam elas políticas ou culturais, sejam elas trabalhistas ou religiosas. Os que monopolizam o conhecimento são seletivos na transmissão de informações e cuidam para que as pessoas só saibam aquilo que reforça ou apóia suas idéias. O próprio Senhor Jesus falou sobre isso (Mt 15.4-6; 23.1-4; Lc 11.52).
Sendo o saber objetivo um instrumento de libertação (vide a Reforma Protestante), não dá para entender o fastio epistemológico que muitos ainda nutrem na sociedade pós-moderna, a repugnância, aversão, tédio e o aborrecimento — de maneira deliberada — em relação ao saber. O que ocorre é que as pessoas se acostumam a uma vida subcultural — totalmente indigna para o cristão (Mc 12.30,33) — e têm dificuldade de entender a importância e o valor do conhecimento, pois acostumaram-se a contentar-se com àquilo que os outros lhes dão. Na esfera religiosa, muitas acabam “adorando o que não conhecem” (Jo 4.22), por falta de discernimento.
Em nosso meio também existe gente assim. É possível ver esta rejeição transliterada em escusas, as mais absurdas possíveis. Por exemplo, a de uma pessoa que me disse que não queria ler a Bíblia, pois isso a tornaria ainda mais responsável diante de Deus, ou outra que achava que estudar trazia frieza espiritual, e sem contar com as mais “sinceras” e “francas” que dizem e afirmam categoricamente que não gostam de ler a Bíblia, pois acham a linguagem muito difícil. Para esses, a afirmação de Francis Schaeffer, de que o “Cristianismo histórico nunca realmente separou-se [do] conhecimento”1, soaria, no mínimo, como uma profanação.
Mas um novo tempo tem chegado, e com ele o advento da tecnologia digital. Estamos vivendo uma verdadeira “revolução copernicana” em termos de informação. Entretanto, uma das maiores ambigüidades deste tempo pós-moderno é que a acriticidade pela falta de informação está dando lugar a uma outra, resultante do consumo irrefletido dos subprodutos da cultura popular, ou seja, o excesso de informação. De “anoréxicos culturais” migramos para o outro pólo e tornamo-nos “glutões culturais”.2
Como todos sabem, sempre que o fator polarização se instaura não é difícil constatar suas mazelas. A mídia de massa leva informações prontas em poucos segundos para todas as partes do mundo. Assim, as notícias, saberes e fatos são simples e literalmente “engolidos”. É prudente que não nos esqueçamos de que crescimento intelectual não é meramente acúmulo de informações; este é de caráter difuso e, não raras vezes, comporta incoerências, pois as informações são “assimiladas” sem reflexão, cotejamento ou qualquer outro critério.
O resultado desse fenômeno é que, como disse Alister McGrath, o “foro de discussões mudou radicalmente. Hoje, elas já não ocorrem no âmbito das universidades e dos livros-texto. É no mercado das idéias, e não nas salas de seminário das universidades, que o cristianismo deve pelejar por sua vida. O estúdio de televisão, a imprensa nacional, a lanchonete das universidades e o shopping center local constituem os novos palcos de debates nos quais as declarações de verdade por parte do cristianismo são julgadas e testadas”.3
Dentro desse panorama, é preciso resgatar uma das maiores conquistas da Reforma Protestante: o sacerdócio universal dos crentes, e de maneira mais específica, nossa função apologética, pois, diferentemente do que se pensa, esta prática não é uma exclusividade clerical, e sim um chamado eclesiológico (1Pe 3.15), pois o sacerdócio universal dos crentes nada mais é que “a responsabilidade de cada um saber e entender a Bíblia”.4
Foi Francis Schaeffer quem, modernamente, resgatou a idéia original dos primeiros apologistas, afirmando que a “apologética cristã não começa em algum lugar além das estrelas. Ela parte do homem e do que ele sabe acerca de si mesmo”.5 Sobretudo, a apologética, além de ser uma apresentação racional e inteligente das reivindicações de verdade e importância da fé, possui uma função muito mais evangelística do que qualquer outra. Aliás, o mesmo Schaeffer afirma que a apologética possui dois propósitos: “O primeiro deles é a defesa. O segundo é a comunicação do Cristianismo, de forma tal que qualquer geração possa entender”.6
“Mas não devemos deixar que o Espírito faça a obra?”, questionam alguns demonstrando verdadeira falta de compromisso e omissão. A estes, cabe a resposta com o que disse Rick Nañez: “O endosso bíblico mais conhecido da apologética encontra-se em 1 Pedro 3.15; nessa passagem, Pedro ordena aos cristãos que estejam ‘sempre preparados para responder’ ou defender ‘a qualquer pessoa que lhes pedir a razão’, ou explicação lógica, ‘da esperança que há em vocês’. O verbo ‘pedir a razão’ ou ‘perguntar’ (aiteo) indica perguntas que ocorriam na conversação cotidiana, não em um tribunal. As palavras-chave ‘sempre’ e ‘a qualquer pessoa’ indicam a extensão de tempo e de influência para a atividade apologética. Em outras palavras, todos os cristãos devem se preparar para responder a quaisquer perguntas feitas por quaisquer pessoas a qualquer tempo e sob quaisquer circunstâncias e, o mais importante, isso deve ser feito com mansidão e respeito!”7
O grande problema “é colocar a apologética bem pensada e notavelmente usável nas mãos e mentes dos cristãos.”8 Essa será, ao longo deste texto, a questão enfocada à luz da Bíblia e considerada no contexto da pós-modernidade.
A Trilateralidade da Apologética
Diante do que já foi dito é possível acrescentar que a apologética é trilateral, pois não serve apenas à defesa da fé, mas também à análise de outras cosmovisões e à transmissão do evangelho.
Confesso que da forma como me foi apresentada a apologética, há alguns anos, acreditei, por muito tempo, que a sua única função era criticar outros grupos religiosos e nada mais. Foi somente ao ler a obra E Agora, como Viveremos?, de Charles Colson e Nancy Pearcey, que entendi que havia algo muito mais sério e perigoso com que lutar, algo bem mais nocivo que os ensinos russelitas ou sabatistas. Felizmente, isso ocorreu no período de meu ingresso na academia. Esse livro ajudou-me a entender que os desafios intelectuais apresentados por professores céticos, ateus ou naturalistas, mereciam uma resposta convincente e fundamentada. Colson e Pearcey são pródigos na disseminação da idéia de que devemos ser apologistas antes de dogmáticos, e afirmam que “nossa tarefa fundamental é apologética”.9
Os autores demonstram que a “própria existência do método científico, e tudo que ele tem realizado, é um grande argumento apologético em favor da veracidade do Cristianismo”.10 Eles levaram-me entender que a “reforma da ciência - e do modo como pensamos a realidade - não é exatamente um assunto para acadêmicos em uma torre de marfim. A ciência afeta toda a nossa visão de mundo - não só as idéias sobre a religião e a ética, mas também sobre a arte, a música, e a cultura popular”.11
A partir desse entendimento é imprescindível que a apologética cristã seja ainda mais explorada, deixando de ser um exercício unilateral - elitizado e dedicado somente à análise de outros grupos religiosos -, em nossas igrejas, para tornar-se um poderoso e influente instrumento a ser colocado nas mãos de cada membro, a fim de promovermos a expansão do Reino. Inclusive ensinando-os a responder por que crêem em que crêem (já que esse é um dos maiores desafios dos adolescentes e jovens cristãos).


Onde o Povo busca conhecimento?

Algo que escapa em meio ao clima de apostasia da época de Malaquias é a dramática lembrança que o Senhor faz da responsabilidade do sacerdote: “Porque os lábios do sacerdote guardarão a ciência, e da sua boca buscarão a lei, porque ele é o anjo do Senhor dos Exércitos” (Ml 2.7). Como “mensageiro” do Senhor ele era porta-voz de Deus. Como “guardador da ciência”, era um cumpridor dos preceitos da Lei e, como aquele de cuja boca Israel buscaria o saber, o sacerdote era então um “professor da Lei”.
Em o Novo Testamento existem paralelos semelhantes para a liderança (Mt 5.19;1Tm 3.2). Na história eclesiástica também, pois quando surgiram os apologistas ― primeiros defensores intelectuais do cristianismo ― suas homilias tinham por finalidade instrumentalizar toda a igreja para que esta pudesse também responder aos questionamentos. Só com o passar do tempo, é que o povo foi tolhido do conhecimento, e uns poucos “iluminados” monopolizaram a Palavra. O resultado todos nós conhecemos.
Nancy Pearcey afirma que devido ao fato de a apologética básica ter se tornado habilidade crucial para a simples sobrevivência neste tempo pós-moderno, os “pastores têm de fornecer liderança intelectual às congregações, ensinando apologética no púlpito”.12 Concordo com o fato de que os líderes não são obrigados a “serem peritos em todas as áreas”, contudo, entendo que “devem estar preparados para indicar às pessoas os recursos que lhes fornecerão respostas às suas questões”.13 Logo, a busca por informação, conhecimento, saber, erudição - não somente bíblicos -, bem como a freqüência e promoção de eventos de natureza apologética, devem ser parte inadiável da agenda do pastor e de sua congregação.

O Povo Sacerdotal

Em O Deus que se Revela, Francis Schaeffer afirma que os homens foram criados por Deus para ter conhecimento, e acrescenta; “conhecimento sobre ele, sobre nós mesmos e sobre o mundo”.14 Diante disto, a postura de Israel, como classe sacerdotal denunciada por Oséias é, para dizer o óbvio, irresponsável e um verdadeiro suicídio intelectual: “meu povo foi destruído por falta de conhecimento. ‘Uma vez que vocês rejeitaram o conhecimento, eu também os rejeito como meus sacerdotes; uma vez que vocês ignoraram a lei do seu Deus, eu também ignorarei seus filhos’” (Os 4.6, NVI). Não dá para entender como um povo cumpridor, defensor, intérprete e professor da Lei, de maneira ostensiva e deliberada, tenha rejeitado o conhecimento e, especificamente o da Lei (Dt 4.6).
A “nova classe sacerdotal” não está diferente. Desenvolvemos um cristianismo epidérmico sem nos darmos conta. Acostumamo-nos à postura de que culto é lugar de receber, quando na verdade é um momento de devoção, de doar-se, de oferecer-se (Rm 12.1). Esse culto — nos diz o apóstolo Paulo na referência citada — deve ser “racional”. Qualquer estudioso mediano da Bíblia conhece o que era o culto veterotestamentário. Com seus rituais e exigências, não deveria ter se resumido ao ato pelo ato, pois era o espírito voluntarioso e grato ao Senhor que deveria motivá-lo (1Sm 15.22; Mq 6.6-8). A Bíblia refere-se à Igreja como “sacerdócio real” (1Pe 2.9). Como estamos desenvolvendo nosso ofício? Somos cumpridores, guardiões e ensinadores da Palavra? Ou, como o povo de Israel, rejeitamos deliberadamente o conhecimento?
Isso é ainda mais sério se levarmos em conta o fato de que estamos ministrando a pessoas muito diferentes das “da geração passada”, pois “as igrejas de hoje estão cheias de graduados das universidades [...]. Os pastores precisam começar a redefinir sua tarefa para incluir evangelismo intelectual, porque se não pregarem sobre assuntos referentes à mente, vão se achar cada vez mais alienados de seu próprio rebanho”.15

O clima cultural e intelectual da pós-modernidade e a apologética dos pressupostos

O pós-modernismo, com suas pressuposições, “rejeita qualquer noção de verdade universal e abrangente e reduz todas as idéias a construções sociais formadas por classe, gênero e etnia”.16 Isto significa que não há verdade objetiva e, muito menos, absoluta, pois todas as questões são consideradas à luz do individualismo multicultural e do relativismo.
Tal clima “cultural” traz uma influência substancial sobre a teologia, e à própria vida cristã. Isso porque toda “pessoa com a qual conversamos, seja a balconista da loja, seja o estudante universitário, de forma consciente ou não, tem um certo conjunto de pressupostos”.17 Tais pressupostos são “condutores” de pensamento ou “condicionadores” conclusivos que atuam em nossa forma de pensar, mesmo que não nos demos conta disso. Esses pressupostos precisam receber um tratamento especial para que a pessoa os perceba e assim os confronte.
Quando menciono que até mesmo a teologia é influenciada pelo clima cultural e intelectual em vigência, o faço pelo simples fato de entender que a teologia é uma reflexão bíblica da comunidade cristã que está inserida dentro de um determinado contexto. Se os responsáveis pela condução reflexiva não forem fiéis ao texto bíblico (seja por desconhecerem ou não), podem levar toda a Igreja a um equívoco incônscio ou ao erro voluntário (apesar de as causas serem distintas, o resultado é o mesmo: o prejuízo do rebanho). Como afirma Roldán: “Toda prática religiosa, [...], implica a adoção, consciente ou inconsciente, de tendências teológicas e posturas ideológicas que é preciso aquilatar. Por isso insistimos em que a teologia não é algo ‘caído do céu’, mas o produto de uma reflexão permanente a partir de uma situação concreta, estabelecendo um ponto entre a informação bíblica e nossa situação”.18
Francis Schaeffer adverte que nunca “devemos supor que, por sermos cristãos, no sentido inteiramente bíblico, e cheios do Espírito Santo, automaticamente devemos estar livres da influência à nossa volta”.19 É preciso entender que não existe entre nós e o mundo pós-moderno um apartheid, uma espécie de redoma social imaginária que nos imuniza ética, social e moralmente das influências externas.

Sofisticação intelectual e integridade teológica

Uma vez que os debates não ocorrem somente no âmbito da academia, as pessoas acabam não podendo discutir com muita sofisticação intelectual ou conceitual, além de ter de abrir mão de muitas questões técnicas - a fim de se atingir o âmago do problema dos pós-modernistas, que é o senso pragmático da realidade -, é preciso então acuidade na apresentação dos “pontos de contato”20 existentes na revelação geral.
Não devemos perder de vista o fato de que abrir mão, em algumas ocasiões, da sofisticação intelectual, não implica, em hipótese alguma, que devamos fazer o mesmo com a integridade teológica. Aliás, é exatamente a falta de integridade com a teologia que tem provocado o surgimento de verdadeiras aberrações teológicas. Em consonância com o que disse McGrath acerca do “foro das discussões” e de Roldán sobre as “tendências teológicas”, Silas Daniel afirma que a “sutileza dos discursos que sustentam a necessidade de uma teologia pós-moderna, supostamente mais contextualizada com a nossa época, deixou de estar restrita a pequenos círculos teológicos. É crescente a popularização, para além das salas de aula dos seminários, de neologismos como Teologia Narrativa, Teologia Quântica, Teísmo Aberto (ou Teologia Relacional) e, para outros gostos, do chamado evangelho da auto-ajuda”.21
É importante que os pastores estejam atentos ao que seus membros, sejam eles jovens estudantes ou obreiros veteranos, estão estudando nos seminários, centros universitários, ou faculdades teológicas, pois lamentavelmente alguns professores e instituições tem se deixado seduzir pelo clima cultural e intelectual deste tempo. Este é mais um dos fatores que obrigam a liderança a manter-se em constante vigilância e muito bem informada acerca dos novos modismos teológicos que, muito mais sutis que grupos proselitistas, acabam se infiltrando em nossas igrejas através de aulas, palestras, publicações e mensagens de gente do nosso próprio arraial!

Mapeando a Realidade

A grande questão é que não há um inimigo único para o qual devamos direcionar nossas armas apologéticas. Não estamos, à semelhança da Igreja do primeiro século, diante de um movimento como o gnosticismo ou de uma única heresia. Alister McGrath descreve a intrincada teia ideológica do pós-modernismo nos seguintes termos: “Muitas vezes, idéias hostis em conjunto surgem, vinculadas umas às outras, em franca oposição ao cristianismo. As idéias parecem entrelaçadas, de modo que combater uma delas não significa necessariamente eliminar a dificuldade”.22
Assim, a recomendação prática é, inicialmente, aplicar-se a três coisas: (1) conhecer as Escrituras intimamente; (2) estudar a cultura diligentemente; e, (3) analisar os fatos, eventos e assuntos teologicamente. Essas são práticas elementares para que possamos ter uma visão correta da conjuntura histórica, em que estamos inseridos e possamos manter a ortodoxia e integridade bíblica. Sem esses requisitos básicos, acabaremos permitindo que a igreja que está sob a nossa responsabilidade seja incauta, ingênua e levada “em roda por todo vento de doutrina”. E isso é descumprir e pisar o propósito pelo qual o Senhor Jesus instituiu o ministério (Ef 4.11-16).


1 SCHAEFFER, Francis. O Deus que Intervém. São Paulo: Cultura Cristã, 2002.
2 Termos cunhados, com esta acepção, por GODAWA, Brian. Cinema e Fé Cristã. Viçosa: Ultimato, 2004.
3 MCGRATH, Alister. Apologética Cristã no Século XXI. São Paulo: Vida, 2008.
4 PEARCEY, Nancy. Verdade Absoluta. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.
5 SCHAEFFER, Francis. Op. Cit.
6 Ibid.
7 NAÑEZ, Rick. Pentecostal de Coração e Mente. 1.ed. São Paulo: Vida, 2007.
8 GESLEIR, Norman, ZACHARIAS, Ravi. Sua Igreja Está Preparada? 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.
9 COLSON, Charles & PEARCEY, Nancy. E Agora, como Viveremos? 2.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2000.
10 Ibid.
11 Ibid.
12 PEARCEY, Nancy. Verdade Absoluta. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.
13 GESLEIR, Norman, ZACHARIAS, Ravi. Op. Cit.
14 SCHAEFFER, Francis. O Deus que se Revela. São Paulo: Cultura Cristã, 2002.
15 COLSON, Charles & PEARCEY, Nancy. Op. Cit.
16 Ibid.
17 SCHAEFFER, Francis. Op. Cit.
18 ROLDÁN, Alberto Fernando. Para que Serve a Teologia? 2.ed. Londrina: Descoberta, 2004.
19 SCHAEFFER, Francis. Op. Cit.
20 “Pontos de contato” é uma das idéias centrais da apologética. É a noção de que, mesmo as pessoas que não partilham da mesma visão que nós, possuem os referentes necessários para entender a nossa mensagem. Assim, é preciso descobrir os pressupostos comuns e individuais para melhor comunicarmos o evangelho. Cf. MCGRATH, Alister. Op. Cit.
21 DANIEL, Silas. A Sedução das Novas Teologias. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.
22 MCGRATH, Alister. Op. Cit.


Publicado originalmente em Manual do Obreiro, nº42, ano 30, CPAD, Rio de Janeiro, 2008. pp.40-45.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

AOS MEMBROS DA IEADAR E A QUEM MAIS POSSA INTERESSAR

Com objetivo de esclarecer sobre procedimento denominado AÇÃO CAUTELAR INOMINADA (Nº 1639/2009), no âmbito da Vara Cível da Comarca de Araucária –PR., envolvendo membros da IGREJA EVANGÉLICA ASSEMBLÉIA DE DEUS MINISTÉRIO EM ARAUCÁRIA (IEADAR), e sua diretoria, informo conforme segue:

Um grupo de membros ingressou com pedido de LIMINAR¹ no sentido de que lhes fosse assegurado o direito de se fazerem presentes e pudessem se manifestar livremente em reunião mensal de obreiros, em especial a do mês de outubro de 2009. Tendo o MM juiz, Dr. Evandro Portugal, analisado e concedido conforme o pedido, emitiu ordem judicial – que foi entregue por oficial de justiça diretamente ao pastor presidente no início da referida reunião na sede da IEADAR. No entanto, a ordem judicial não foi integralmente obedecida, pois, embora, os requerentes não tenham sido impedidos de participar, não lhes foi oportunizado o direito de manifestarem-se conforme solicitação feita formal e expressamente no início da reunião.
O pastor presidente, dentro do que lhe é de direito, manifestou sua indignação perante o juiz ante os motivos alegados pelos requerentes para justificar o pedido de liminar conforme acima mencionado e, pediu a improcedência do mesmo. No intuito de melhor clarificar de modo sequencial todos os fatos ocorridos, transcrevo decisão proferida pelo juiz de direito, Dr. Evandro Portugal, em Audiência de Instrução e Julgamento realizada em 18/05/2010, conforme segue:

“INSTRUÇÃO E JULGAMENTO – Aberta a audiência, proposta a conciliação, restou infrutífera. Foram colhidos os depoimentos de duas testemunhas arroladas pela parte autora e duas testemunhas arroladas pela parte requerida. Pelo MM juiz foi proferida a seguinte decisão:
Pretenderam os autores autorização para participação com livre manifestação em assembleia que se realizou em 10/10/2009 às 14 horas, tendo em vista divergências com a administração da requerida. Fundamentaram o pedido e a urgência na concessão da medida liminar. Por meio da decisão de fls. 85/86 foi concedida a liminar para a participação dos autores na assembleia com livre manifestação. Citada a requerida se manifestou às fls. 93/98 com interpretação de que os motivos que motivaram a pretensão dos autores não são verdadeiros e que são infundadas às razões apresentadas. Requereu a improcedência do pedido. Novamente houve manifestação da parte autora fls. 126/133 e se sustentou que não houve o cumprimento integral da liminar concedida.
Decido: A liminar concedida sem a manifestação da parte contrária teve caráter satisfativo em relação ao pedido formulado, sendo assim a confirmação da liminar resulta na extinção do processo com resolução de mérito. Verificou-se, porém, a alegação de que houve descumprimento da determinação judicial, relativamente a possibilidade de manifestação dos autores na reunião/assembleia realizada, sendo assim em audiência de instrução foram ouvidas testemunhas para o fim de elucidar o cumprimento ou não da determinação judicial, sendo que tais depoimentos poderão instruir o processo criminal se for o caso. Diante do exposto e no entendimento de que a medida cautelar já atingiu o objeto pretendido, qual seja a participação dos autores na assembleia do dia 10/10/2009 e discutindo-se a pendência do cumprimento integral da medida com a livre manifestação dos autores que deverá correr na esfera criminal, confirmo a liminar concedida e julgo procedente o pedido. Determino a remessa de cópia dos presentes autos ao Ministério Público para análise do noticiado descumprimento, com início de apuração nos presentes autos com oitiva de testemunhas. Deixo de condenar a parte requerida em honorários de advogado por se tratar de medida cautelar satisfativa que independe de ação principal. Publique-se. Registre-se.”
[Conforme Termo de Audiência nº 140/2010]

Desde o dia 18/05/2010 este processo estava pendente com relação ao determinado pelo juiz no que se refere à remessa de cópia ao Ministério Público para análise quanto ao possível crime de desobediência cometido pelo pastor presidente da IEADAR, sendo que finalmente em 16/11/2010 houve o arquivamento do referido processo no âmbito da Vara Cível e a cópia chegou às “mãos” do representante do Ministério Público de Araucária em 23/11/2010, conforme pude pessoalmente constatar quando estive na promotoria e conversei com o assistente da Promotora de Justiça, Drª Stella Maria Flores Floriani Burda.
Desta forma, como era óbvio, o processo 1639/2009 foi definitivamente arquivado, pois o juiz, desde o dia 18/05/2010, já havia determinado sua extinção com resolução do mérito “sendo assim a confirmação da liminar resulta na extinção do processo com resolução de mérito”, e conforme informações repassadas em 24/11/2010 pelo Ministério Público, será dado andamento conforme determinado pelo juiz da Vara Cível “sendo assim em audiência de instrução foram ouvidas testemunhas para o fim de elucidar o cumprimento ou não da determinação judicial, sendo que tais depoimentos poderão instruir o processo criminal se for o caso. Diante do exposto e no entendimento de que a medida cautelar já atingiu o objeto pretendido, qual seja a participação dos autores na assembleia do dia 10/10/2009 e discutindo-se a pendência do cumprimento integral da medida com a livre manifestação dos autores que deverá correr na esfera criminal”.

Havendo dúvidas ou divergências de informações, respeitosamente, sugiro aos membros da IEADAR, que assim como eu fiz, dirijam-se até o Ministério Público de Araucária e solicitem as informações desejadas, pois este processo é público, isto é, pode ser consultado por qualquer interessado.

A oração com propósito é muito importante, no entanto, nunca devemos nos esquecer que o que deve sempre prevalecer é a vontade do Deus Altíssimo. Sendo assim, que Deus realize Sua vontade em nossas vidas e em nossa igreja também.

"Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu" [Mateus 6.9 e 10]

Edson Leite

Obs.:
Estou realizando pesquisa objetivando elaboração de texto, a ser postado neste espaço, discorrendo sobre a mentira e o comportamento dos mentirosos.
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¹ Dir. Despacho de magistrado no sentido de antecipar, no todo ou em parte, os efeitos da tutela requerida na petição inicial, desde que obedecidos pressupostos legais. [Dicionário Aurélio]

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

COMEMORAR CELEBRANDO

Muitas vezes quando estamos na igreja presenciamos os frequentadores do púlpito trocarem farpas causando constrangimento mútuo, e também, à igreja reunida. No último sábado, dia 20/11/2010, realizou-se o culto de Santa Ceia na congregação que frequento. Em dado momento um determinado evangelista, ao fazer as apresentações, lembrou aos presentes que estávamos reunidos para “comemorar a morte e ressurreição de Jesus Cristo”. Não demorou muito e um determinado pastor que nos visitava pegou o microfone para fazer uma saudação à igreja e, sem perder tempo “corrigiu” o colega que lhe antecedeu afirmando que a Santa Ceia não é um ato de comemoração, mas sim, é um ato de celebração.
Discutir esse tipo de coisa em cima do púlpito é no mínimo uma incoerência, como dizem alguns, isso é querer partir fio de cabelo a machado. Mas, como a questão foi suscitada debaixo do meu nariz, achei que deveria emitir opinião a respeito. Inicialmente cabe salientar que os termos são sinônimos, isto é, podem ser entendidos como tendo a mesma significação. No entanto, se observarmos os versículos 24 e 25 de I Coríntios 11 e, fizermos uma comparação com a definição da palavra COMEMORAR, que segundo o Dicionário Aurélio é: trazer à memória; fazer recordar; lembrar, chegaremos facilmente ao entendimento que, embora, qualquer dos termos possam ser empregados sem causar distorção ao objetivo principal do ato de Santa Ceia, o mais apropriado considerando o ensinamento bíblico, é o vocábulo COMEMORAR. No mais devemos observar ao seguinte (sem se esquecer das demais coisas):

“Rogo-vos, pois, eu, o preso do Senhor, que andeis como é digno da vocação com que fostes chamados, com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor.” [Efésios 4.1 e 2]

“Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria. E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria. O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece.
Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá; Porque, em parte, conhecemos, e em parte profetizamos; Mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado. Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino. Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido. Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor.” [I Coríntios, Capítulo 13]



Que o Misericordioso Deus nos capacite para andarmos como é digno da vocação com que fomos chamados.

Edson Leite

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

DEUS CONSTITUI LÍDER SERVIDOR OU CHEFE DITADOR?


“O que poderia se tratar de raras excessões em nosso meio, agora é praticamente a regra. Infelizmente. Digo isso com tristeza no coração, mas quando encontramos um líder diferenciado, quantas vezes tenho ouvido a frase: Esse é crente! Ora, seria normal que todos o fossem, e não a excessão.” [Pr. Carlos Roberto Silva]




Considerando a importância do assunto e a credibilidade do autor, publico abaixo texto do pastor Geremias do Couto que tem por título “LÍDERES NÃO SÃO MAIORES DO QUE A GRAÇA DE DEUS”. Apesar de não trazer nenhuma novidade, pois o Apóstolo Paulo já falava basicamente as mesmas coisas à igreja de sua época "Olhai, pois, por vós, e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue. Porque eu sei isto que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não pouparão ao rebanho; E que de entre vós mesmos se levantarão homens que falarão coisas perversas, para atraírem os discípulos após si." [Atos 20: 28-30]. Mesmo assim o texto é surpreendentemente interessante do ponto de vista da dificuldade que nós temos em admitir nossas mazelas. Enquanto muitos estão vendo o barco afundar e continuam a dizer que está tudo bem, o pastor Geremias corta na própria carne e expõe nossa verdadeira realidade de uma maneira muito ousada. Se inclui entre os que precisam tirar a máscara, abrir “mão de certos caprichos, vaidades, presunção, arrogância, orgulho, farisaísmo, ostentação”. Afirma que é um princípio da vida cristã não atribuir grande valor às conquistas relacionadas ao desenvolvimento e crescimento pessoal.
No decorrer de sua análise o pastor Geremias cita a existência de algo que devemos abominar, que é considerar que os líderes são infalíveis – sendo esta uma herança da igreja católica que AD carrega consigo sem o menor pudor. Existe na AD a figura do PASTOR PRESIDENTE, sendo muito comum a pessoa que ocupa este cargo ser idolatrada por aqueles que desejam ter um ministério de sucesso, isto é, ter uma carreira de sucesso no âmbito ministerial eclesiástico. Isto ocorre basicamente porque é este personagem que tem o poder para determinar quem irá ser Diácono, Presbítero, Evangelista e Pastor, e faz isto de acordo com sua própria conveniência, sem consultar os seus pares – muito menos a DEUS – tendo como resultado um verdadeiro séquito disposto a defender os atos de seu “mestre” a qualquer custo, estando certo ou errado, isso não importa. Imagino que quando se instituiu a figura do PASTOR PRESIDENTE não houve nenhum tipo de má-fé, no entanto, com o passar dos tempos alguns indivíduos viram aí uma grande oportunidade de facilmente manipular a igreja (as pessoas), e também, aquele grupo denominado integrantes do ministério – que nos cultos de domingo gostam de assentar-se no púlpito ao lado de seu mestre – no sentido de legitimar todas as coisas bárbaras e lastimosas que vemos acontecer de forma corriqueira em nossas igrejas.
Poucos estão dispostos a serem imitadores de Cristo ou de Paulo, pois tanto um como o outro não moravam em mansões e nem tinham luxuosos carrões do ano das montadoras japonesas, não faziam suas refeições em restaurantes chiques e, com relação ao Apóstolo Paulo, ao contrário dos que hoje se dizem estar à serviço do evangelho, o Apóstolo deixou uma vida de ostentação e poder para, com humildade e muito sofrimento, levar a Palavra de Deus às nações, especialmente gentílicas. Hoje em dia PASTOR PRESIDENTE, é visto pelos fiéis e também pelos infiéis, como sinônimo de poder, ostentação, senhorio, o “cara” que manda, o chefe. Se nós refletíssemos sobre o fato que até nas empresas o conceito de chefe não é mais aceito, uma vez que dentro das corporações que respeitam os seus colaboradores há muito se adotou a figura do LÍDER e a extinção do chefe, e fazendo isso à luz da Bíblia, iríamos facilmente entender que Deus nunca coloca um chefe à frente da igreja e, ainda, o que diferencia a má e destrutiva liderança (chefe) do bom LÍDER, é o seu caráter.
Pastor que tem somente características de chefe não consegue respeitar os direitos alheios e, pelo simples fato do membro pedir informações sobre as finanças da igreja já é motivo para determinar sua expulsão. E ai daqueles que questionarem este ato, pois serão excluídos sob os argumentos de serem rebeldes. A princípio, analisando sob a ótica da definição do termo REBELDE, que é, segundo o Dicionário Aurélio, aquele que se rebela contra a autoridade constituída, a atitude do chefe está correta, afinal ele é uma autoridade constituída. No entanto, as pessoas se esquecem que diante de Deus somos todos iguais e que temos por obrigação respeitar o nosso próximo e nunca sair por aí pisando em ninguém.

Conforme inicialmente mencionado segue abaixo a íntegra do texto do Pr. Geremias do Couto

Boa leitura

Edson Leite

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Líderes não são maiores do que a graça de Deus
Fonte: http://geremiasdocouto.blogspot.com/

Ah, se todos nós, que somos considerados líderes, tirássemos as nossas máscaras e vivêssemos o discipulado em sua forma simples e bíblica. Ah, se abríssemos mão de certos caprichos, vaidades, presunção, arrogância, orgulho, farisaísmo, ostentação e viéssemos para a planície. Quanto ganhariamos! E a igreja também! Não generalizo, mas uso a linguagem da inclusão ao pensar que muitos de nós estamos de fato incorrendo nessa gravíssima falha. Sei que o desenvolvimento pessoal é parte do nosso crescimento. Mas considerar tudo o que conquistamos como esterco (tem lá o seu valor) é um dos princípios da vida cristã.

O que está em cena, aqui, não são as nossas conquistas em si mesmas, mas o pedestal, a glória humana, a fantasia, a hipocrisia, o aplauso e a consequente perda de referenciais. Achar que somos tudo, quando, na verdade, nada somos. Ou passar uma falsa humildade, que, no fundo, pretende que as pessoas olhem para nós e digam: "vocês são mesmo os tais!" Esse é o cerne. Quantas vezes pregamos e, ao final, nos sentimos frustrados, quando as pessoas não nos procuram para "elogiar" a nossa pregação! Quantas vezes chegamos de propósito atrasados ao culto para que a assistência nos olhe com admiração e, se não pode falar alto, pelo menos pense ou cochiche: "Está chegando o pregador!" Esse é o ponto.

Infelizmente, trazemos para a nossa realidade da fé um pouco (ou muito?) da herança católica que faz o povo olhar para os seus líderes como infalíveis. Estes, por sua vez, vestimos a farda com muita facilidade. A partir disso, passamos a ser os reis da cocada preta (sem racismo, por favor. Pode ser branca também!). Até na forma de andar, gesticular ou fazer alguns trejeitos, expomos a aura da infalibilidade que tanto massageia o nosso ego. Não conseguimos ser simples, e, se tentamos aparentar simplicidade, fazemos de maneira tão afetada que logo transparece a prepotência. Como neste conhecido bordão: "Fulano é tão humilde que tem orgulho da sua humildade".

Só que a casa cai. Não há arrogância que dure para sempre. De tempos em tempos, para a nossa tristeza (e também aprendizado), surge uma nova notícia, dando conta do fracasso de um líder, que muitos o tinham como o grande referencial e o tratavam, não com o respeito que todos merecem, mas com idolatrada veneração. Podemos chegar a este ponto, quando perdemos os nossos limites. Quando achamos que não temos de prestar contas a ninguém. Quando nos colocamos no pedestal acima dos "simples mortais". Quando não nos reconhecemos como o principal dos pecadores, à semelhança de Paulo. Quando deixamos de olhar as "nossas justiças como trapos da imundícia". Quando achamos que somos maiores do que a graça de Deus. Quando o pecado torna-se apenas um detalhe que não nos importa em nosso dia a dia. Quando, por confiar em nossa autossuficiência, não buscamos ajuda em nossos momentos de fragilidade.

Creio que Deus permite a exposição de alguns dentre nós, trazendo à tona todos os apetrechos escondidos no seu coração, para que o povo perca essa visão "divinizada" da liderança, e nós, que somos tidos em tal condição, possamos humildemente dizer como João Batista: "É necessário que ele cresça e que eu diminua", ou como Paulo: "Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte?" Ao contemplarmos tais situações, por outro lado, nossa atitude deveria ser a de vestir-nos de sacos e assentar sobre as cinzas para chorar os nossos pecados pessoais e coletivos, orar pela restauração de quem está sendo tratado pelo Senhor e, com inteireza de coração, nos expormos aos braços amoráveis do Pai para deixar de ser sustentados pelas nossas próprias pernas.

Líderes são necessários na igreja desde os primeiros dias do Cristianismo. Atos dos Apóstolos descreve a sua existência. As epístolas tratam de forma clara o assunto. Mas não formam casta especial. Privilegiada. Com alguns galões que possam distingui-los dos demais crentes em sua relação com Deus. Não são pequenos deuses para ser glorificados pelos homens. São modelos, inclusive na fraqueza, para que possam pelo exemplo mostrar aos que lideram, no mesmo nível, que só pela graça - unicamente e apenas pela graça - sem qualquer outro privilégio, podem superar as falhas e buscar a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor. E aí todos saberão que ninguém é melhor do que ninguém ou ocupa lugar especial à direita ou a esquerda do trono de Deus.

Somos humanos, fracos, faliveis, necessitados, dependentes, incapazes em nós mesmos, para os quais o Senhor, que enfrentou todas as nossas fraquezas em sua humanidade, pode dizer: "A minha graça te basta".


Link:
http://geremiasdocouto.blogspot.com/2010/11/lideres-nao-sao-maiores-do-que-graca-de.html

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

SERRA NA CIEADEP - Convenção das Igrejas Evangélicas Assembléia de Deus no Estado do Paraná

O candidato José Serra fez uma visita à alguns pastores da Assembleia de Deus que estão confortavelmente instalados e reunidos no luxuoso Hotel Carimã, em Foz do Iguaçú – cidade turística muito apreciada pelas empresas que promovem eventos voltados para vereadores e funcionários comissionados das prefeituras de todo o Brasil, por ser a cidade das cataratas e estar localizada no extremo oeste do estado do Paraná fazendo divisa com a Argentina e o Paraguai que é um verdadeiro paraíso para se fazer compras. Conforme informa a Gazeta do Povo, foi neste ambiente cheio de aconchego que o presidenciável tucano se encontrou no dia 26/10/2010, com os pastores da AD do Paraná e, fez promessas que dificilmente irá cumprir se vir à ser eleito o próximo Presidente do Brasil. O jornal traz a declaração do candidato prometendo vetar o projeto de lei 122/2006, que torna crime qualquer discriminação contra homossexuais, caso seja eleito e caso o projeto venha a ser aprovado pelo Congresso. Se um projeto como esse for aprovado no Congresso Nacional certamente o presidente – qualquer que seja – não terá coragem o suficiente para vetá-lo, e mesmo que venha a acontecer, o veto poderá ser derrubado pelo mesmo Congresso e, então a Lei será publicada e entrará em vigor.
Via de regra quase todo político é mentiroso, pois falando a verdade doa a quem doer é muito difícil ganhar uma eleição num país com tanta diversidade social e cheio de conflitos de interesses como o nosso. Se, estando no meio das “lideranças evangélicas” ele afirmar que é a favor do projeto de lei 122/2006, irá desagradar e, da mesma forma se ele estiver no meio da parada gay irá afirmar que é a favor para poder agradar. E assim ele vai moldando-se às circunstâncias objetivando ganhar o máximo possível de votos e sair vitorioso, e depois... depois não terá problema nenhum considerando que os eleitores nem mesmo irão se lembrar em quem votaram e muito menos quais eram os compromissos de campanha do então candidato. No caso do tucano, ele se moldou tão perfeitamente ao ambiente dos pastores que, segundo a reportagem “o candidato surpreendeu o público ao saudar a “todos na paz do Senhor”, gesto que foi respondido com um sonoro “amém”.

Segue abaixo a íntegra da matéria da Gazeta do Povo e, neste sentido reitero a necessidade e importância de intensificarmos as cobranças junto aos candidatos que elegemos. Para citar alguns que se elegeram e contaram com o apoio oficial da AD do Paraná, segue os nomes: DELEGADO FRANCISCHINI (Deputado Federal), TAKAYAMA (Deputado Federal), GLEISI HOFFMANN (Senadora), além da Deputada Estadual Rosane que é de Araucária, eleita Deputada Federal e contou com o apoio da igreja AD local. Ainda podemos citar outros nomes ligados ao segmento evangélico, como o Deputado Federal ANDRÉ ZACHAROW. Desta forma entendo que o centro da questão está no Congresso Nacional e não na caneta do Presidente.

Edson Leite

OBSERVAÇÃO:
Pesquisa Sensus divulgada nesta quarta-feira (27) pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT) mostra Dilma Rousseff (PT) com 58,6% dos votos válidos e José Serra (PSDB) com 41,4%.
Fonte – Gazeta do Povo.
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Serra promete vetar lei que criminaliza a homofobia
Por Fabiula Wurmeister

Em encontro com evangélicos em Foz do Iguaçu, tucano diz que igrejas não podem ser proibidas de pregar contra “atos homossexuais”
Foz do Iguaçu - O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, prometeu ontem vetar o projeto de lei 122/2006, que torna crime qualquer discriminação contra homossexuais, caso seja eleito e caso o projeto venha a ser aprovado pelo Congresso. A promessa foi feita em Foz do Iguaçu, no Oeste do estado, onde o tucano falou para cerca de 800 lideranças que participam da 50ª Convenção de Pastores da Assembleia de Deus no Paraná.
“Do jeito que está, ele [o projeto] passa a perseguir igrejas que têm posições contrárias ao homossexualismo”, disse Serra. “Uma coisa é perseguir e fazer grupos de extermínio contra os gays. Outra é proibir que as igrejas preguem contra atos homossexuais entre seus fieis. Eu vetarei essa lei.”
Questionado sobre como dará andamento ao Plano Nacional de Direitos Humanos 3 (PNDH-3), o tucano indicou o que considera quatro divergências fundamentais no documento: o desrespeito à propriedade privada, a instituição de mecanismos de controle da imprensa, a criminalização de quem é contra o aborto e a prática da homossexualidade e a proibição de símbolos religiosos em repartições e escolas públicas. Serra disse ainda discordar da proposta de controle social da mídia exposto no plano. “A criação de comitês de controle e de conferências na prática representa censura à imprensa”, afirmou.
Antes de responder às perguntas dos pastores, o candidato surpreendeu o público ao saudar a “todos na paz do Senhor”, gesto que foi respondido com um sonoro “amém”. O candidato foi presenteado com uma Bíblia.
Ao pedir voto, Serra chamou a atenção para a necessidade da “multiplicação dos votos” e disse que todos devem ser capazes de “persuadir outras pessoas que estejam indecisas ou que não têm muita certeza de votar na candidata adversária”. “Nunca a palavra da mentira circulou tanto durante uma campanha como agora.” Hoje a comunidade evangélica reunida em Foz deve receber o candidato a vice-presidente de Dilma Rousseff (PT), Michel Temer.
Congresso
Serra disse ainda que, caso eleito, terá maioria no Congresso. “Eles [os petistas] estão falando muito que a candidata Dilma [Rousseff] teria maioria no Congresso e eu não. Isso não é fato. Conheço aquilo a fundo e sei bem como as coisas funcionam. Posso dizer que nós vamos ter maioria no Congresso porque os partidos não são homogêneos”, comentou. “Se eu conheço bem o PMDB, do qual fui integrante até 1988, e gente de outros partidos, posso garantir que não será assim.”

Fonte: Gazeta do Povo
http://www.gazetadopovo.com.br/votoconsciente/conteudo.phtml?tl=1&id=1061661&tit=Serra-promete-vetar-lei-que-criminaliza-a-homofobia

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

NÃO HAVENDO SÁBIA LIDERANÇA, O POVO CAI. [Provérbios 11.14 parte “a” – com adaptação]


Em reportagem do dia 14/10/2010 o jornal GAZETA DO POVO trouxe uma informação intrigante envolvendo a candidata do PT à Presidência da República e, segundo o jornal, 51 “lideranças evangélicas”.

Não só na GAZETA DO POVO, mas em praticamente todos os veículos de comunicação o assunto tem sido destaque. Definitivamente os eleitores ligados ao segmento religioso, especialmente os evangélicos, influenciaram diretamente no resultado do primeiro turno das eleições para Presidente do Brasil, e seguramente a participação destes eleitores será determinante na escolha do próximo governante que deverá ser eleito em 31/10/2010. Em princípio seria possível afirmar que o povo de Deus (servos fiéis e zelosos com os princípios bíblicos) alcançaram posição de destaque e estariam agindo como “sal da terra e luz do mundo” [referência – Mateus 5.13 e 14].
A matéria destaca o encontro da candidata do PT com “lideranças evangélicas” com a finalidade de assumir o compromisso, caso seja eleita, que não enviará ao Congresso Nacional projetos de lei para legalizar o aborto e a união civil entre homossexuais, para mudar o registro civil de transexuais e para criminalizar a homofobia e, segundo o jornal “ficou acertado que Dilma irá assinar uma carta assumindo esses compromissos e na qual ela garantirá a manutenção da liberdade religiosa no país”. No entanto, nada disto deve ser levado à sério, pois conforme análise do pastor Geremias do Couto a maioria dos líderes que se encontraram com Dilma sempre esteve “comprometida com a candidata, os quais foram à Brasília certamente com as despesas pagas pelo comitê de campanha, constitui-se número inexpressivo para quem precisa repercutir o novo discurso entre a massa de evangélicos votantes no país. Fica a impressão que os seus coordenadores evangélicos vendem para a candidata uma liderança que não têm”. O pastor Geremias ainda faz a seguinte a análise: “Qualquer compromisso que Dilma Rousseff assuma agora é coisa para inglês ver.” E complementa seu raciocínio com a observação: “O PNDH 3 é o suprassumo de tudo quando Lula prometeu que não iria fazer e fez. É um decreto assinado pelo "falso messias", que afirma as intencões do governo e foi preparado no forno da Casa Civil comandada por Dilma Rousseff.”
Nos dias seguintes ao encontro com as tais 51 “lideranças evangélicas” Dilma divulgou para imprensa a carta onde deveria formalmente constar seu compromisso conforme mencionado, no entanto, o teor foi considerando ambíguo pelos jornalistas que acompanham o assunto, isto é, tenta não desagradar e ao mesmo tempo conquistar o voto dos grupos GLS, pró aborto e evangélicos sendo isso a tradução da expressão usada pelo pastor Geremias “para inglês ver”.
Toda essa discussão é válida, e isso já ficou bem claro, mas o mais importante é que após o fim do período eleitoral seja dado prosseguimento, isto é, seja a Dilma ou o Serra o próximo presidente, os cristãos devem continuar influenciando nas decisões no âmbito do Congresso Nacional, uma vez que foram eleitos vários candidatos ligados ao segmento religioso com a finalidade de serem os nossos representantes. Entendo que nenhum dos dois candidatos tem perfil de cristão, ou seja, quem garante que o Sr. José Serra sendo eleito não cederá às pressões dos grupos que lutam pela legalização do aborto, do casamento entre pessoas do mesmo sexo e da criminalização da homofobia. Porque, quanto à ser adepto de vender as empresas estatais nós sabemos que ele é. Então imagine você a Petrobrás nas mãos de empresários ávidos por lucros – mas isso já é outra questão.
Voltando ao Serra “bonzinho” e cheio de traços de bom caráter conforme afirmam os pastores José Welington e Silas Malafaia – inimigos quando o assunto é frequentar a mesma igreja, mas amigos quando o assunto é política. Estas duas figuras se tivessem um pouquinho de bom censo ficariam longe do debate eleitoral, pois o pastor Silas acusou publicamente o pastor José Welington de estar cometendo graves irregularidades na administração da CGADB e CPAD, coisas terríveis que se forem confirmadas, o que poderá acontecer a qualquer momento considerando que existe processo sendo movido no Tribunal de Justiça do Estado Rio de Janeiro por iniciativa de vários pastores de Convenções estaduais da AD, o Sr. José Welington não é “flor que se cheire” e o Sr. Serra pode estar dando um tiro no pé ao colocar em seu horário eleitoral esses dois personagens de caráter duvidoso para pedir votos em favor de sua candidatura. Com relação ao Sr. Welington, ele sempre manteve uma afinidade muito grande com a candidata do PT, chegando, inclusive a ‘flertar” com ela no período pré eleitoral, no entanto, o “namoro” sério mesmo acabou acontecendo com o tucano.
Então vemos claramente a hipocrisia de algumas “lideranças religiosas” que estão se aproveitando do momento, como sempre fizeram, para ganhar posição de destaque e aumento de poder, uma vez que não existe nenhuma preocupação com as questões morais e éticas, não fosse assim a candidata Marina Silva, que professa o cristianismo, teria alcançado apoio irrestrito de todas às religiões evangélicas, mas ao contrário estão se “abraçando” com aquele que, ao seu ver, tem mais chances de vencer, ou seja, querem mesmo é garantir um “lugar ao sol” na capital federal (Brasília).
Quem assistiu a entrevista do Serra ao Jornal Nacional, edição de 19/10/2010, deve ter percebido que ele não acha errado legalizar o aborto quando, ao responder uma pergunta da jornalista Fátima Bernardes fez esta afirmação: “...nunca explorei isso do ponto de vista de que ela estaria errada por ser a favor do aborto. O que acontece é que ela afirmou uma coisa e depois afirmou o oposto.”, com isso vemos que o Sr. Serra não acha que o aborto seja um crime, seja uma imoralidade, isto é, ele acha errado a contradição da Srª Dilma.

A conclusão que se pode tirar neste momento considerando que a Marina Silva não tem mais chances de ser a próxima governante desta nação, é que temos que cobrar uma atuação firme por parte daqueles que elegemos para ocupar uma cadeira no Congresso Nacional, tendo como principal finalidade representar os nossos interesses, pois a ideia quando se criou as Câmaras municipais, as Assembleias e o Congresso Nacional foi justamente essa de ter representantes defendendo aquilo que achamos ser bom para nós povo brasileiro levando em consideração os diversos grupos sociais.
No entanto, isto não significa que devemos depositar toda nossa confiança e esperança no homem, mas, antes de tudo devemos continuar orando e pedindo a misericórdia do Deus Altíssimo.

Edson Leite
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Segue abaixo a íntegra da matéria da Gazeta do Povo.
Petista se compromete a não legalizar o aborto
De olho no voto do eleitor religioso, a candidata à Presidência pelo PT, Dilma Rousseff, se comprometeu ontem, caso seja eleita, a não enviar ao Congresso Nacional projetos de lei para legalizar o aborto e a união civil entre homossexuais, para mudar o registro civil de transexuais e para criminalizar a homofobia. Todos esses pontos, agora renegados por Dilma, faziam parte da primeira versão do polêmico 3.º Plano Nacional de Direitos Humanos, elaborado pelo governo Lula no ano passado.
Em reunião realizada ontem no almoço em Brasília, com a presença do presidente Lula e de 51 lideranças evangélicas, ficou acertado que Dilma irá assinar uma carta assumindo esses compromissos e na qual ela garantirá a manutenção da liberdade religiosa no país.
“Não vamos enviar nenhuma lei deste tipo ao Congresso, com relação à lei de aborto e outras”, disse Dilma horas mais tarde, em Teresina, Piauí. “Ficamos de discutir os termos de uma carta-compromisso. Agora, o grande compromisso que assumo, que o Estado é laico e não vai interferir em questão religiosas. O Estado não será de uma religião.”
Dilma frisou também que a união civil entre homossexuais não é questão relativa à religião. Segundo ela, o casamento entre gays diz respeito às igrejas. Já a união estável é uma questão de Direito Civil entre cidadãos e não de caráter religioso, explicou.
Dilma disse também que não pode conceder direitos a um tirando o direito dos outros, ao se referir ao projeto de lei que criminaliza o preconceito contra homossexuais, condenado pelas igrejas evangélicas. “O preconceito contra o homossexual, temos que condenar. A parte relativa a criminalizar as igrejas, quando dentro delas existe manifestação que elas não aceitam [a homossexualidade], isso é um absurdo. Criminalizar é um excesso. Tem que ter equilíbrio. Não podemos exigir que as igrejas aceitem com aquilo que elas não concordam”, disse a petista. “A lei pune a discriminação e o preconceito dele. Tem uma parte da lei [na verdade, o projeto de lei] que está errada, porque torna crime o que não deve ser crime.”
A guinada conservadora na campanha da petista ocorre para estancar a perda de votos no segmento religioso, principalmente em função da posição anterior de Dilma em relação ao aborto. Em 2007, ela afirmou ser a favor da legalização da interrupção da gravidez – o que gerou uma forte reação contra a candidata entre padres, pastores e eleitores religiosos. No final do primeiro turna da eleição deste ano, Dilma mudou de posição. Mas não conseguiu reverter a insatisfação desse eleitorado – o que agora tentará fazer ao assinar a carta-compromisso.
As lideranças evangélicas que se reuniram ontem com Dilma prometeram anunciar, nos cultos que celebram, o apoio à candidatura de petista.

Fonte: http://www.gazetadopovo.com.br
Link: http://www.gazetadopovo.com.br/votoconsciente/conteudo.phtml?id=1056985&ch

terça-feira, 5 de outubro de 2010

DILMA, ABORTO, EVANGÉLICOS E ELEIÇÕES

Dilma Rousseff se enrosca toda na questão da descriminalização do aborto e, não ter ganho as eleições no primeiro turno está tendo um gosto amargo de derrota. Em matéria de hoje (05/10/2010) o jornal Folha.com faz a seguinte afirmação:
“Acuado pela perda de votos de evangélicos na reta final do primeiro turno, o PT ensaia deixar de lado a defesa programática da descriminalização do aborto e já planeja retirar a proposta do programa do partido, aprovado em congresso”.

Com exceção dos temas polêmicos do aborto e do casamento entre pessoas de mesmo sexo, sem falar em outros aspectos da candidata do PT, ficou muito difícil decidir quem é menos pior dos candidatos, se a Dilma ou o Serra. Desta forma o cenário se tornou muito desanimador, pois fatalmente um deles irá governar o país nos próximos quatro anos a partir de janeiro de 2011.
Falando em temas polêmicos o pastor Geremias do Couto informa em seu blog (geremiasdocouto.blogspot.com) mais uma derrota dos defensores da imoralidade:

“A senadora Fátima Cleide, relatora do PLC 122/06, não se reelegeu ao Senado. Embora os líderes do movimento homossexual tenham feito aguerrida campanha em seu favor, ela obteve 16,05% dos votos, a metade do segundo colocado. Soube que a senadora buscou apresentar-se durante a campanha como defensora dos princípios cristãos, mas o povo de Rondônia não engoliu o discurso e mandou-a de volta para casa pelas posições claramente assumidas em favor da agenda gay.”

Mesmo os jornais dando destaque ao que pode sinalizar que os evangélicos estão mais conscientes com relação à questões políticas, ainda estamos muito longe do ideal. Isto considerando que ainda se vê muitas pessoas fazendo uso da igreja, enquanto instituição, para fazer negociatas em épocas de eleições, sendo este um fator que tem ofuscado em muito a imagem de povo unido, que do contrário, os crentes poderiam ostentar sem questionamentos.
Segue abaixo a íntegra da matéria da Folha.com.
Boa leitura.
Edson Leite
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PT estuda tirar aborto de programa para estancar queda de Dilma entre religiosos
Acuado pela perda de votos de evangélicos na reta final do primeiro turno, o PT ensaia deixar de lado a defesa programática da descriminalização do aborto e já planeja retirar a proposta do programa do partido, aprovado em congresso.
A medida deve ser discutida em reunião da Executiva do PT, como forma de responder aos rumores contra a candidata à Presidência, Dilma Rousseff, apontados como o principal motivo para o crescimento de Marina Silva (PV), contrária à legalização do aborto, e a consequente ida da disputa presidencial ao segundo turno.
O primeiro contra-ataque partiu do secretário de Comunicação do PT, André Vargas. "O Brasil verdadeiramente cristão não votará em quem introduziu a pílula do dia seguinte, que na prática estimula milhões de abortos: Serra", disse em seu Twitter.
A pílula do dia seguinte é um dos métodos contraceptivos criticado pela Igreja Católica e distribuída pelo Ministério de Saúde. Diferentemente do que Vargas sugere, sua adoção foi decidida antes de o tucano José Serra, rival de Dilma no segundo turno, ser titular da pasta.
O secretário de Comunicação do PT defende ainda o isolamento da ala do partido pró-legalização. "Agora é hora de envolver mais dirigentes na campanha. Foi um erro ser pautado internamente por algumas feministas. Eu e outros fomos contra".
Um dos coordenadores da campanha de Dilma, José Eduardo Cardozo, reconhece que a resolução do PT, pró-descriminalização do aborto, não é unânime no partido e não é a posição de Dilma.
Antes de ser candidata, Dilma defendia abertamente a descriminalização da prática --o fez, por exemplo, em sabatina na Folha em 2007 e em entrevista em 2009 à revista "Marie Claire". Depois, ao longo da campanha, disse que pessoalmente era contra a proposta. Hoje, diz que repassará a discussão ao Congresso.
O tema se tornou tão incômodo que ontem, ao "Jornal Nacional", Dilma o citou mesmo sem ter sido questionada (ela teve um minuto e meio para "dar uma mensagem aos eleitores").
"Eu tenho uma proposta de valores. Um princípio nosso de valorizar a vida em todas as suas dimensões".
A senadora eleita Gleisi Hoffmann (PT-PR) afirmou que a defesa da descriminalização do aborto pode até ser defendida por algumas alas do partido, mas pode "custar a Presidência da República".
Já o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), puxador de votos evangélicos, disse que chegou a perder votos porque defendia Dilma, que "erroneamente" era associada a afirmações anticristãs.
Além do PT, o PMDB também defende uma ação para combater a associação de Dilma ao tema aborto, que virou onda de e-mails e comentários em meios religiosos.
Os peemedebistas querem que a candidata divulgue, enfim, um programa de governo deixando claro ser contra a legalização.
Ontem, Dilma reconheceu que a campanha percebeu muito tarde a onda associando seu nome ao tema do aborto e a uma fala, que ela não disse, de que nem Jesus Cristo tiraria dela a vitória.
Sobre a presença do presidente Lula na campanha, Dilma não precisou seu papel. "O presidente Lula a gente não pode falar em dose, ele não é o remédio é solução", disse.
Fonte: Folha.com